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Something For Everybody (2010)

Something For Everybody

Something For Everybody é o álbum mais desavergonhadamente Pop, mais insistentemente grudento, mais meticulosamente polido e mais liricamente leve que o Devo já produziu em toda sua carreira. E isso não significa dizer que o álbum é pobre, uma reedição daquilo que aconteceu em mais ou menos graus com os quatro álbuns que o precederam - composições fracas mascaradas debaixo de quilos de gloss e efeitos eletrônicos, que pretendem amenizar a falta de criatividade das letras quase sempre carente do nonsense e da audácia de antigamente.

Esse álbum recuperou aquilo que fez de Freedom Of Choice um tremendo hino da new wave: guitarras e sintetizadores dividindo os holofotes; ritmos sincopados "tight-as-fuck"; letras que fazem - de maneira inusitada e recorrendo ao imaginário materialista e torpe de uma sociedade embevecida pelo consumo - observações astutas, e até mesmo amargas (adjetivo raro no panteão quase sempre cínico dessa banda) sobre essa falta de perspectivas, essa profusão de clichês e estereótipos e esse reino do ego que alguns chamam de contemporaneidade. Sempre é bom ver que a música pop ainda pode vir acompanhada de alguns neurônios.

Existe algum paradoxo entre o que está escrito no primeiro parágrafo e o que se lê no seguinte? Obviamente que SIM! Como uma obra pode ter sido trabalhada para resultar em um punhado de hits dançantes E constituir-se em um ataque minimamente virulento ao status-quo? Mas com o Devo as coisas são assim mesmo. Durante toda sua carreira, a banda tem trabalhado para funcionar como uma espécie de espelho mágico da cultura pop - oferecendo o reflexo semântico daquilo que é a essência de um produto massificado da indústria fonográfica: forma breve, rasteira e repetitiva, conteúdo conformista, cético e cínico. Com um grande porém: o distanciamento irônico, que é capaz de desabilitar o próprio enunciador da mensagem. Dessa forma, nem críticas nem declarações são levadas a sério: das críticas, suspeita-se estarem contaminadas por conteúdo propagandístico ou auto-mistificador; das declarações, desconfia-se que são feitas por grosseiras caricaturas feitas para ofender a "boa índole" do ouvinte.

Tome como exemplo a campanha de divulgação do álbum: desde a cor dos chapéus "energy domes" que iriam adornar os membros da banda até a definição das doze canções que integrariam o álbum, tudo foi decidido via ações de marketing. Vídeos postados no site oficial do grupo mostravam testes sendo realizados com pessoas anônimas que se prontificavam como consumidores ordinários, e suas reações a cores, músicas, objetos e a estímulos de tato (com olhos vendados e tudo) foram minuciosamente registradas, como parte de um experimento científico "rigorosamente empírico" para conceber um produto infalível do ponto de vista comercial, que teria algo de bom e agradável a todos...

Como se não bastasse toda essa lenga-lenga, eles ainda tiveram coragem de, juntamente com a agência de publicidade Mother, criar um reality show com vários capítulos sobre o processo de criação do álbum - não de sua parte musical, mas de suas táticas de identificação e posicionamento de marca, a importância da parceria com a Warner Bros. para a reconquista de um espaço no mainstream... Enfim, tudo isso ecoa o que o filósofo Slavoj Zizek disse em relação aos eslovenos industriais do Laibach: subversivo mesmo é levar a ferro e fogo toda a ideologia dominante - afinal, criar um álbum cujo título e conceito giram em torno de seus meios de divulgação e promoção é o anúncio da derrocada da arte enquanto expressão independente, autêntica, sincera, com um mínimo de incisão sobre a realidade.

Devo flerta com a publicidade, ao mesmo tempo em que retira elementos de seu mundo para reelaborá-los em um contexto diverso, livre das garras corporativas. Em alguns momentos, no entanto, o álbum faz questão de nos lembrar que Jerry Casale e Mark Mothersbaugh atualmente pagam suas contas compondo jingles e produzindo peças publicitárias (Mark é dono da bem sucedida produtora Mutato Muzika) - o que causa certo mal estar. Human Rocket e Step Up parecem ter saído de um comercial e soam como hinos apropriados à cultura de auto-ajuda; Sumthin' é o erro que tantas bandas veteranas cometem em se auto-refenciar (isso para usar um eufemismo de auto-plágio); em Let's Get To It, Jerry solta o slogan da de-evolução numa pergunta retórica, em pose arrogante típica de um Bono Vox: "How many people think De-Evolution is real?"

Mas na boa: em aspectos gerais o que se sente é uma banda confiante no estúdio, que imprime performances convincentes mesmo quando a música não é boa. O Devo parece ter retomado a mesma proposta de "twisted entertainment" que permeou boa parte de seu último álbum razoável, Oh No! It's Devo (1982) - mais tarde Jerry falaria que elaborara o álbum como se fosse cantado por "palhaços fascistas". Vinte e oito anos depois, o que se percebe é que a produção dos dois álbuns é semelhante - bateria estrondosa, melodias cativantes. Dessa vez, porém, os ecos, loopings e timbres de percussão eletrônica são trabalhados em exaustão, em uma mixagem realmente admirável de tão minuciosa. O mais curioso a notar é o volume caudaloso que canções como What We Do e March On adquirem: se antes o Devo era lembrado pelo seu austero minimalismo eletrônico, essas duas faixas têm tanta pegada que tocam o puteiro em qualquer lugar - a última, com texturas sintéticas tão celestiais quanto os melhores momentos do Pet Shop Boys (quem diria que um dia eu iria comparar essas duas bandas?), surpreende o quanto mais pelo seu subjetivismo, mostrando um protagonista em dilemas existenciais ao especular sobre Amor, Deus e Sexo (os grandes temas ontológicos). What We Do - faixa especialmente perversa - retoma os processos de incorporação e regurgito de signos de consumo: "Feedin' and breedin' and pumpin' gas/ Cheesburger, cheeseburger, do it again!"

Também ajuda que o repertório, apesar de não conter a força de singles como Peek-a-Boo ou That's Good, é em conjunto muito melhor, justamente por resgatar o mesmo tom irascível contido na maior parte do LP New Traditionalists (1981). Mind Games, em especial, com todos seus jocosos comentários aos relacionamentos amorosos, traz um sorriso aos ouvintes por ser a perfeita sequência de Love Without Anger; os sintetizadores tocados em sua entrada, intercalando dois canais de saída, são dignos da fase áurea dos estúdios Kling Klang.

Later is Now, por sua vez, aproveita para mirar em sintomas de nosso tempo - ídolos afro-americanos que conseguem ser tão narcisistas e cínicos quanto as forças retrógradas que o escravizavam há 200 anos; a impessoalidade da internet que cria um ambiente hostil regido por histéricos e irracionais - enquanto cambaleia em um distintíssimo robot-disco cortesia do ótimo baterista Josh Freese, lembrando muito o classudo álbum do Sparks Nº1 in Heaven.

Há vinte anos fora da indústria fonográfica, o Devo não desfruta da mesma exposição nem desperta tanta ansiedade no público quanto nos idos de 1980, época em que eram ao menos reconhecidos como pioneiros da música eletrônica e do vídeo clipe. Uma pena, portanto, que Fresh e Don't Shoot (I'm a Man) só foram ver a luz do dia finda a primeira década do século XXI - dariam ótimos hits ao lado de Girl U Want e Planet Earth. Essas duas músicas do Freedom of Choice não vêm à mente por acaso: Fresh também ganhou seu solinho de guitarra e é uma verdadeira prova de como Jerry Casale é ainda capaz de compor linhas de baixo incrivelmente viciantes no teclado; já Don't Shoot, aqui representada em versão bem superior à preview apresentada em 2009, martela com força dentro do cérebro. Suas palavras, não tão estupidificadas quanto as de Planet Earth, são menos evocativas; mesmo assim, Mark soa desorientado frente à falta de outra alternativa senão, perenemente, "sonhar com a loteria" e "viver para trabalhar": "Think before you answer / There is no correct answer."

A verdadeira joia do álbum, curiosamente (ou não), está em uma das faixas que foi descartada pela escolha popular, mas incluída em uma edição aparentemente imposta pela Warner Bros. denominada Corporate Version, paralela à edição feita pelos fãs. No Place Like Home não se parece com nada que tenha sido gravado pela banda, e certamente desde a longínqua Booji Boy's Funeral não se ouve Mark dedilhando lamuriosos acordes menores no piano. No entanto, pode ser apontada, ao lado de Beautiful World, como um dos maiores arroubos de sinceridade no panteão da banda: uma balada tocante que expõe sem rodeios toda a descrença de Jerry pela democracia de massas ("In the bigger scheme of things / We haven't been around here more than a moment"). Um detalhe não pode ser perdido: a música inicia-se com um toque agudo de quatro segundos. O que se segue é a música. Ou seria a transmissão de uma propaganda institucional? A primeira frase da canção, cantada em uma voz mecânica e monotônica, diz: "A song of truth and beauty for you." Com um boicote a si próprio, o álbum realiza enfim um gesto iconoclasta que atesta seu desprezo aos potenciais libertadores da tecnologia e da cultura ocidental. Se não há resposta correta, ainda podemos fazer perguntas corretas.

Obs 1: A resenha foi feita analisando a edição Corporate Version, que sacrificou três escolhas do público (Let's Get To It, Signal Ready e Watch Us Work It) por três das quatro músicas descartadas pelo fãs (March On, Cameo e No Place Like Home), as quais, segundo Jerry Casale, foram forçadas a compor uma nova versão do álbum por interferência da Warner Bros. A gravadora, que teria gostado especialmente dessas faixas, sentiu-se contrariada, já que o público analisou todas as 16 canções produzidas durante o ano de 2009 (disponíveis no site oficial da banda em streamings de 30s) e eliminou suas favoritas.

Obs 2: Dessa vez, vou dar o braço a torcer para a Warner: eu também não acredito em democracia. Signal Ready é boba e Watch Us Work It é um remix, lançado em 2007, de uma música do álbum New Traditionalists (The Super Thing), ou seja: não tem nada de novo. Apenas Let's Get To It é um must-have dessa nova safra de músicas: nunca vi uma música tão alucinante como essa, é como ouvir Uncontrollable Urge no fast forward. Recomendadíssimo.

SOMETHING FOR EVERYBODY (THE CORPORATE VERSION)

  1. Fresh
  2. What We Do
  3. Please Baby Please
  4. Don't Shoot (I'm a Man)
  5. Mind Games
  6. Human Rocket
  7. Sumthin'
  8. Step Up
  9. Cameo
  10. Later is Now
  11. No Place Like Home
  12. March On

Destaques: Fresh, What We Do, Don't Shoot (I'm a Man), Mind Games, Later is Now, No Place Like Home, March On

Nota: 8,0

Caio de Mello Martins
12 Jul 2010

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