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New Traditionalists (1981)

New Traditionalists

Um ousado passo, um tiro na cabeça

New Traditionalists, lançado em 1981, é o quarto álbum do Devo. Em retrospectiva, quando pensamos que no início dos anos 80 a Warner minou a carreira dos spud boys, exigindo mais e mais sucessos, mais exposição e mais exploração de situações contextualizadas com fetiches sexuais, fica latente a idéia de que Whip It, apesar de ser o maior sucesso da história da banda (#14 da Billboard em 1980), foi um tiro no pé. Se Whip It foi um tiro no pé, então New Traditionalists foi um tiro na cabeça.

É uma história triste, porque trata-se de um álbum muito, mais muito bom. Contundente, pungente, bem elaborado e contém aquela que seria a música mais tocante da carreira do Devo, Beautiful World (chamar uma música de-evoluída de "tocante" é raro pacas...). Normalmente, as anônimas e previsíveis trajetórias no mainstream sempre nos falam de popstars problemáticos, problemas com drogas, crise criativa, briga de egos e trilhões de histórias que todo mundo conhece. Não sou amigo dos spud-boys, mas nunca ouvi falar de histórias de mesquinharias rolando nos bastidores.

Nu-Tra foi suicídio programado porque Jerry, Mark & Cia. aproveitaram o sucesso e a exposição para fazer algo inteligente, que revelasse todas as convicções da banda. Em um prazo de três anos após Nu-Tra, estavam sem contrato, na sarjeta. Tudo porque apostaram na estratégia de ataque viral: alojar-se dentro da lógica mercantil da cultura de massa e gradualmente plantar as sementes para boicotar e confundir sua linguagem imperativa, estimulando o público a questionar valores pré-estabelecidos.

Através de uma representação satírica, indivíduos que se sentissem (indevidamente) representados poderiam cultivar uma maior dose de reflexão em suas vidas diárias, praticando a auto-crítica e relacionando-se com coisas, pessoas e instituições muito além do nível da aparência, do reflexo automático e do interesse pragmático, individual.

Devo sempre se manteve como um ato artístico de vanguarda, porque nunca tiveram como primeiro objetivo se esforçarem em corresponder expectativas mensuradas em contratos ou cifras. Ao contrário, chamavam a atenção maltratando o público, angariando espaço no mercado para convocar o público a se posicionar diante de sua provocação mordaz. Por isso é possível conceber New Traditionalists como a cristalização daquilo que era mais genuíno na proposta da banda.

De início um senhor tapa-na-cara: Through Being Cool chama atenção para eles mesmos: a revolta burra contra coisas que requerem maior atenção, maior queima de glicose nos neurônios. Race of Doom nos diz aonde essa civilização vai parar se nada for feito para nos fazer acordar da tortura sadomasoquista de nossas mentes neuróticas. Love Without Anger rejeita o amor hollywoodiano que induz milhões de seres frustrados todos os anos às salas de cirurgia plástica. The Super Thing destrincha 1984, de George Orwell, e traça um sombrio paralelo com a indústria de lazer e espetáculos, que são o símbolo máximo de uma economia assentada sobre a volatilidade e o imediatismo de seus consumidores. Beautiful World - empregando a ambigüidade da linguagem idiótica de-evoluída que tanto conhecemos - criou uma obra-prima que, combinada com um potente videoclipe, expressa uma profunda decepção com o mundo. Going Under parece proferida por alguém que largou os comprimidos de soma há uma semana. Enough Said, bem...essa manda tudo pros ares!

New Traditionalists conquistou um nada mau 23º lugar na Billboard, mas não animou quem esperava um Devo descontraído, inofensivamente peculiar, que se diluísse mais e mais na onda da New Wave (isso foi redundante!). E o pior é que todo o processo de divulgação ocorreu com muito esmero. Três singles foram lançados (Through Being Cool/Race of Doom, Jerkin Back 'n' Forth/Mecha-Mania Boy, Beautiful World/Nu-Tra Speaks), três videoclipes foram feitos (Through Being Cool, Love Without Anger e Beautiful World) e toda uma remodelagem do Devo foi posta em marcha: os chapéus vermelhos da fase Freedom of Choice deram lugar aos infames "pomps", capacetes de plásticos modelados para fazer alusão ao penteado do ex-presidente John F. Kennedy; nos shows, performavam à frente de torres de design clássico, sendo que havia toda uma introdução na qual as silhuetas de Jerry, Mark e Bob#1 apareciam de trás de panos multicoloridos.

Antes que eu me esqueça, foi o primeiro álbum cuja produção foi assinada pela própria banda, o que denota o alto grau de confiança e ambição do quinteto. E a produção ficou ótima, muito obrigado: o baixo digitalizado de Jerry está mais proeminente no mix e se beneficia de ótimas linhas melódicas; Mark expandiu o vocabulário de timbres em seu sintetizador (escute Race of Doom e seja atropelado pela agressividade de seu teclado) e acrescentou alguns toques de percussão eletrônica, o que resultou no álbum mais eletrônico do conjunto até então. Mas sem matar a presença da guitarra de Bob #1, e muito menos a melhor performance já gravada de Alan Myers. Além de portarem uma nova sessão de fotos com a nova estética, a aparição de Jerry e Mark em programas de entrevista era outra arma de divulgação. Como dito anteriormente, pode ter servido para espantar certa parte do público cativo: todas as respostas eram tortas, e nada vinha à tona sem uma boa dose de cinismo e humor non-sense.

Em suma, New Traditionalists é a essência do Devo. Veja bem: este não foi o início da decadência. Pense como o último, comovente e verdadeiro capítulo da De-Evolução.

Caio de Mello Martins
30 Abr 2008

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