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Resenha de Q: Are We Not Men? A: We Are Devo! :: Discos :: DEVO Brasil
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Q: Are We Not Men? A: We Are Devo! (1978)

Q: Are We Not Men? A: We Are Devo!

Sobre as conseqüências cognitivas e culturais da manipulação tecnológica por primatas antropofágicos

A primeira coisa que pensamos quando o magnífico début do Devo vem a cabeça é que, muito provavelmente, ele já estava madurinho fazia bem uns dois anos. E que, não fossem as disputas legais entre gravadoras e o imbróglio envolvendo a capa do disco*, Q: Are We Not Men? A: We Are Devo estaria sendo vendido em meados de 1977, e não em agosto de 1978. Afinal de contas, o compacto Be Stiff, de 1977, já apresentava cinco músicas que viriam a integrar o panteão do LP de estréia. E, como pudemos testemunhar com o lançamento das coletâneas Hardcore Devo volumes 1 e 2, muito do material embrionário gravado ao vivo do porão de Booji-Boy, naquele período gestacional de 74 a 76, seria usado como base para canções futuras, presentes nos demais álbuns subseqüentes até o New Traditionalists. Não é mesmo?!

Pois é. Contudo, por mais que Q: Are We Not Men? seja uma obra-prima talhada conscientemente nos mínimos detalhes, ele ainda assim soa muito diferente daquele Devo registrado no curta-metragem The Truth About De-Evolution ou nos singles do selo independente Booji Boy. Mesmo sendo propagado no meio do turbilhão punk/pós-punk/new wave do final dos anos setenta, este é um disco que exulta frescor e urgência. Isso porque a banda decidiu se desvencilhar do ritmo moroso, pouco dinâmico e das vozes meio caricaturais que caracterizavam o som gestacional da banda e deu uma senhora injeção de adrenalina na conjuntura sonora. Muitos creditaram isso à parceria com o megaprodutor Brian Eno, mas, como o próprio Mark me confidenciou após sua entrevista com Kid Vinil no TV Terra, a inspiração para a gênese do début como nós conhecemos foram os Ramones.

"Quando nós ouvimos, me perguntei: porque não fazemos como eles, e aceleramos um pouco? Vamos ver como fica", me disse Mark. É algo que faz muito sentido. Em seu estilo franciscano de rock, abolindo a gordura e reduzindo a música pop para um minimalismo de impulsos púberes (eu quero/eu não quero) guiado por uma base rítmica monótona e melodias hiper básicas, o approach dos Ramones não me parece muito longe do conceito de De-Evolução que os spudboys quiseram aplicar à música. A busca por uma performance musical que primasse pelo primitivismo era uma das luzes-guia; se o maior inimigo dos Ramones era o progressivo e seu exibicionismo instrumental, Devo rechaçava os apelos sentimentais, sensuais e até mesmo proselitistas do hard/glitter/folk-rock setentista, temperando-o com composições que, em comparação com a música pop vigente, desnudaria e pilharia sobre os lugares-comuns e os clichês dessa cultura massificada.

Como pode-se comprovar pelos mecanismos de absorção e regurgitação tão próprios dessa banda, percebe-se que os garotos de Ohio são bem mais sofisticados. O tom frenético permeia todo o álbum, e é a alma da faixa de abertura, Uncontrolable Urge (em português, Ânsia Incontrolável), que rouba o riff de Misty Mountain Hop (Led Zeppelin) e a reconfigura numa canção rígida e tensa, na qual gritos de yeah já não tem glamour juvenil nenhum, é só um espasmo mecânico-nervoso. Aqui há um dos melhores trabalhos de reinterpretação de todos os tempos, com Satisfaction, em que o xaveco de Mick Jagger se derrama sobre uma base rítmica desjuntada que se repete como uma máquina escangalhada. E, claro, há Come Back Jonee, o único single do álbum, lançado junto com o lado B Social Fools. Hilária: em vez de um talentoso jovem sonhador, um "Jonee" iludido e pé-rapado que compra uma guitarrinha vagabunda numa loja de penhora e tem uma morte prematura, esmagando sua cabeça num acidente de trânsito dirigindo seu carro de fabricação japonesa - e não um dos queridos Ford de Chuck Berry.

Não é à toa que muitos celebrem esse como o melhor álbum da banda. O fato de ser o trabalho menos eletrônico e mais "selvagem" da história do conjunto pode desagradar aos fãs da sonoridade pós-Freedom Of Choice; porém, Q: Are We Not Men? A: We Are Devo, por larga vantagem, pode se gabar também por ser o mais coeso - possui uma uniformidade de temas que quase o torna conceitual: de fio a pavio, um verdadeiro retrato sônico da de-evolução da humanidade. Não há uma única canção fraca ou feita nas coxas: claro que, já de imediato, algumas provaram ser mais emblemáticas que outras - caso da catártica Mongoloid (ótimo exemplo de como Mark dava voz ao efeito de curto-circuito com seu sintetizador), ou do maior hino de-evolucionário: Jocko Homo, com seu refrão infame que incorpora o título do álbum e passa mais que a metade de sua extensão desafiando o impulso natural do corpo, com sua melodia cromática e seu peculiar tempo 7x4.

Claro, essas faixas não são famosas à toa. Mas a fama delas acaba por ofuscar tesouros valiosíssimos: a dissonante Too Much Paranoias é uma colagem de inspiração dadaísta que, no torpor da sensibilidade afetada pelo fluxo aleatório de estímulos, encaixa até mesmo um excerto de uma propaganda do Burger King na ponte. Última canção do disco, Shrivel Up finaliza esse clássico com a mais frutífera colaboração entre Devo e Eno: teclados sombrios e manipulação meticulosa dos instrumentos via estúdio. Space Junk e o medley Gut Feeling/Slap Your Mammy são muito dinâmicas, e encerram seus expedientes decolando a mil por hora, num frenesi desengonçado. Praying Hands, bastante entrecortada, prende o ouvinte e surpreende-o com um final súbito e meio anônimo. A brevidade dessas músicas e seu permanente estado de tensão fazem desse álbum talvez a experiência musical mais intensa (quiçá epilética) dentre a produção pós-punk do final de década, sem rivais à sua neurose de alta-voltagem - sempre com uma dose especial daquele humor infame que tanto apreciamos.

*O imbróglio refere-se ao interesse da banda de estampar na capa o rosto do golfista Chi Chi Rodriguez. Porém, a direção executiva da Warner barrou a iniciativa, pois no seu entender o Devo estaria difamando o esportista. Os spudboys, então saíram à busca de Rodriguez para conseguir sua permissão para o uso de imagem; mais uma vez, a Warner interferiu no caso, alegando que o lançamento do disco não poderia ser atrasado por uma possível demora na resposta de Chi Chi. Sendo assim, Devo resolveu financiar uma gráfica no intuito de remodelar o rosto retratado na imagem: Mark e Jerry optaram por um artista que construía uma face por meio da fusão entre as fisionomias dos ex-presidentes americanos Jimmy Carter, Gerald Ford, Richard Nixon, John Kennedy e Lyndon Johnson.

No meio do processo de impressão das capas, Chi Chi Rodriguez apareceu e autorizou a utilização de seu rosto no álbum. Mas, como a banda já havia gasto 2.500 dólares na nova capa, a idéia original foi sacrificada.

Caio de Mello Martins
07 Mai 2008

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